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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fotografando: Arizona - parte 1

Após uma nada breve ausência, estou de volta. Ganhar dinheiro faz parte da vida e isso, as vezes, afeta o andar do blog. Hoje, ao invés de falar sobre técnica fotográfica, vou escrever um pouco sobre uma de minhas incursões fotográficas: o Arizona. Mas antes de discorrer sobre o tópico em si, quero marcar dois pontos importantes relacionados a viagem:

1. Equipamento: É importante ter uma boa câmera, com milhares de megapixeis, lentes maravilhosas, filtros e 15 sherpas para carregar todo o equipamento? Sim, é a resposta ideal! Se você tiver um equipamento adequado as situações para onde você vai, isto é excelente e um imenso apoio ao seu processo fotográfico. Eu não tinha este equipamento nesta viagem, muito pelo contrário: contava com uma pequena Nikon D50, com míseros 6 megapixeis e apenas um filtro UV! Parece pouco (e era!), mas como eu não estava tirando fotos para outdoors nem para a National Geographic, tudo bem...

2. Preparação antes da viagem: não perca o seu tempo! Tenha um mapa, monte seu roteiro antes de viajar! Veja as fotos que outros já tiraram no local, leia a história da cidade, prepare-se! E, apenas como comentário, os EUA não são apenas Disneylandia e Nova Iorque! Há uma infinidade de locais a serem descobertos por nós!

A viagem

Realizando um sonho antigo, montei um roteiro que incluisse o Grand Canyon, mas que também contemplasse a famosa Route 66 e o delicioso Haunted Hamburger em Jerome.  Busquei ajuda em sites como o Trip Advisor e o Lonely Planet  para construir o percurso, o qual resultou em 1600 KM de pura diversão.



Phoenix a Flagstaff
Aluguei um carro ao chegar em Phoenix, pois isso me garantiria acesso as estradas e trilhas, lembrando que a grande diferença entre um Land Rover e um carro alugado é que existem lugares onde você tão teria coragem de ir com seu Land Rover...
Carro alugado, fiz uma breve passagem pela praça central da cidade, onde pude ver um monumento ao cidadão desbravador, quem ajudou a construir o Arizona. O céu estava lindo e aproveitei para pegar os relances de cor existentes neste por-do-sol.


Seguindo o caminho pela US60, fui costeando as Pinal Mountains e a floresta nacional Tonto. Uma das grandes surpresas do caminho foi a serra existente proximo a Miami. Ué, Miami não era uma cidade de praia? Sim, mas descobri que existe outra Miami, bem menor, encravada no miolo do Arizona.

Diferente de sua homônima praiana, esta Miami possui menos de 2000 habitantes e cerca de 2.5 kilometros quadrados de área. E nesta serra, entre Miami e Show Low, pude encontrar imagens fantásticas, como a ponte abaixo sobre Pinto Creek, que parecia retirada do século retrasado diretamente para nosso dia a dia.





Flores também faziam parte da paisagem, no caminho entre Miami e Show Low.



Em um dado momento, inseri  o carro alugado em algo que nunca imaginava existir no desenvolvido Estados Unidos: estrada de terra! Tive o prazer de guiar por mais de 50 km em uma estrada sem asfalto, chamada por eles de " Estrada de Serviço" , pois elas permitem aos guardas atingir o interior de parques e reservas. A sensação foi fantástica, pois o local era inteiramente deserto. Pude estacionar o carro próximo a um pequeno brejo, o qual me rendeu algumas imagens e algumas picadas de insetos.



Após algumas brigas com o GPS, que exibia grande dificuldade de encontrar o caminho correto naquele fim de mundo, pude retomar a estrada principal em direção a Flagstaff



E após longas horas de viagem, encontrei  Flagstaff; A cidade data de 1871 e é uma fiel representante das cidades fundadas pelos migrandes do Leste, que vinham ao Oeste em busca do ouro e felicidade. Cheia de edifícios novos e antigos que relembram o Wild West, Flagstaff é a base para quem busca conhecer o Grand Canyon e a Route 66.


Um abraço e boas fotografias.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Documentando Viagens - um desafio

Acredito que cada pessoa tenha seus motivos para viajar...ums viajam para ver coisas novas, outros para arejar a cabeça, alguns para ficarem sozinhos e pensarem sobre si mesmos ou para não pensarem em nada...enfim, os motivos que levam uma pessoa a uma jornada fora de seu círculo diário de vida podem ser muitos. Mas nosso interesse nestes objetivos alheios se inicia no momento em que o viajante possui, além de roupas, passagem, biscoitos e uma garrafa de Bourbon, uma máquina fotográfica! Gosto muito de um livro de Robert Adams, Why People Photograph, onde ele discorre sobre motivos e fotógrafos, mas, como um conjunto, ele pontua Colegas, Humor, Coleções, Escrever, Ensinar, Dinheiro e Cachorros como os motivos principais que levam alguém a fotografar. E eu pergunto: onde ficam as viagens? Quantas pessoas se preparam para fotografar a viagem antes mesmo de começar a jornada? Eu adiciono aqui então, humildemente, na lista do senhor Robert Adams, as Viagens!

E por que fotografar viagens de forma documental, ou seja, capturando coisas que nós achamos que irão nos marcar? Creio que, a exceção dos que documentam viagens para enviar à National Geographic ou a um caderno de viagens de um jornal qualquer, geralmente fotografamos POR QUE TEMOS MEDO DE ESQUECER. Incrível, não é? Não confiamos em nós mesmos, mas confiamos na máquina fotográfica! Vamos então celebrar este esquecimento com vívidos retratos do que não poderia ser deixado para trás!


Esta foto foi feita na Route 66, no Arizona em 2006. O principal objetivo era documentar a solidão desta viagem e o estado decaído da estrada. Busquei criar um guia para os olhos de quem observa a foto, utilizando para isto a linha central que divide as pistas da estrada. Na edição, criei uma imagem em sépia e com um forte "vignetting" , ou seja, estas bordas escuras com formato circular. Desta forma, busquei documentar não somente a estrada, mas as sensações.





Esta foto foi realizada próximo ao Montezuma Lake, também nos arredores da Route 66. Na época, fiquei sensibilizado pela beleza do céu, pela solidão dos campos e pelo ambiente "primitivo" em contraste com meu conforto em um carro com ar condicionado e resolvi traduzir isso em uma imagem.




A mesma coisa que na foto anterior, mas sem o carro.



Nesta foto, o básico. Eu documentando minha passagem por um dado lugar. Este é o tipo de foto documental mais comum em viagens. Você vai a algum lugar, tira uma foto para mostar para todo mundo e depois descobre que 99% das pessoas não se interessam por ver isto!






Esta foto foi realizada em uma de minhas viagens às montanhas, outra paixão! Eu senti incrível necessidade de documentar a vista que tinha na pousada, portanto não bastava fotografar a vista, precisava fotogravar a varanda da pousada também!

Enfim, não há nada errado em documentar suas viagens! O que está errado é você não fotografar!

Boas fotos, boas viagens, boas estradas e boas montanhas!

Viagens: documentário ou ato artístico?

Após um breve interlúdio cercado de trabalho, o que me impediu de escrever mais, estou de volta juntamente com uma taça de um Carmenére chileno...quem disse que fotografar e beber é proibido?
No meio deste momento alcoolico degustativo me ocorreu o seguinte: qual a melhor maneira de fotografar uma viagem? De forma geral e ampla, me ocorreram duas maneiras básicas de aproveitar fotograficamente uma viagem: 1. Documentário , 2. Artistico. Contudo, são formas bem distintas e exigem do fotógrafo um comportamento completamente diferente em cada situação, afinal, para documentar uma viagem será importante tirar fotografias de todas as pessoas, dos lugares, dos momentos, enfim, algo que contenha a emoção existente na viagem em si. O segundo modelo, o artístico, solicita um desprendimento do fotógrafo para com os momentos, pessoas, lugares e que foque em detalhes e possibilidades artísticas. Em suma, não existe projeto fácil!

Olhando por outro ângulo, tudo irá depender do objetivo, da vontade e dos sentimentos do fotógrafo para com o momento o qual ele está vivenciando. Irei caminhar por cada um dos estilos em posts futuros, mas  resolvi dar um passeio breve pela internet com o objetivo de observar fotograficamente o que se apresenta.

O primeiro blog visitado foi o do Sampa Bikers, basicamente pelo fato de que ciclismo é, certamente, uma de minhas paixões (mais uma!). E lá tive a oportunidade de ver um excelente exemplo de fotografia documentária sobre a viagem do Paulo de Tarso, fundador do Sampa Bikers, a Europa.



Esta foto é bem interessante, fazendo um bom uso da regra dos terços (embora invertida) e da diagonal da pista. Ou seja, não dá para dizer que foi uma foto tirada " sem querer" , mas uma fotografia interessante com o objetivo de documentar a passagem das bicicletas pela Via Claudia na Italia.


Esta outra imagem faz uso das diagonais de uma forma ainda mais contundente, ampliando a sensação de profundidade de campo para quem observa a fotografia. Mas, novamente, o principal objetivo desta foto é documentar a bicicleta na viagem. Visitem o blog do Sampa Bikers para mais fotografias.

Enfim, espero que este tenha sido um bom exemplo de fotografia documental em viagens. A fotografia documental pode ser de excelente qualidade e ainda assim documentar uma viagem ou um lugar. Vamos falar disto mais adiante.

Boas fotos, bons vinhos e boas pedaladas. Não fujam da escravidão a suas paixões!